Boa nova

Atualizado: Fev 29

Quando tu dissestes em pleno carnaval, "olha, agora terei um filho" ou "serei pai" e ser pai (ou mãe) me pareceu tão distante e próximo. Distante porque, para ter um filho, antes, é preciso ter um par. Próximo porque, faz parte da natureza e alguns dos meus amigos já estão vivendo esse momento.

Mais tarde, ainda entorpecida pela notícia, encontrei com Peixoto descendo as escadas, que me revelara: Maria engravidou. E nós dois, descendo as escadas, digerindo as boas novas sem nada no colo, sem nem previsão de chegada. Ele me pediu desculpas pela revelação, mas precisava me dizer; "A civilização só tem mais vinte anos! É uma loucura colocar alguém no mundo uma hora dessas", com uma pontada de inveja. "Ainda bem que, quando ela me contou, estávamos sozinhos. Eu não reajo bem a essas coisas, mas tô feliz por ela", ele disse. "É, agora acabou mesmo.“ Ficamos em silêncio por alguns segundos. Eu emendei “Mas como você está se sentindo?" Ele rebateu como quem estreia na vida: "VIVO"

É impressionante como certos eventos nos trazem à tona uma dimensão forte de vida, de estar aqui nesse mundo, com o sangue correndo pelas veias. Normalmente é quando alguma coisa determinante acontece e uma virada está próxima ou, de fato, acontecendo.

Eu e Peixoto descendo as escadas LIVRES, se é que isso é possível nesse mundo. Mas livres de fazer alguém sofrer, certamente.

No fundo, sei que é isso: Desfazer-se de convenções entranhadas pela sociedade na própria civilização. É humano, demasiadamente humano, sim, mas por conta da sociedade. Nascemos para tantas coisas além da procriação! “O mundo está abarrotado”, concordávamos. Não precisa ser uma regra ir pelo caminho do senso comum e cumprir à risca as normas tal como manda o figurino. Se AGORA é a única verdade que temos, então sim, não fazemos parte do senso comum, mas estamos dentro das estatísticas e, o que nos floreia, também dá arbustos em nós. O incondicional também nos sorri todos os dias.

Filosofias à parte, simplesmente acontece. Retóricas heróicas do incontrolável, do que não foi planejado. Acho que é o imprevisto que nos faz sentir vivos assim, quando descobrimos algo que nos liberta.

E fomos andando conversando por quase 15kms sobre o fim do mundo, contemplando nossa saúde e o fato de não termos responsabilidade com ninguém, além de nós mesmos.


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